Livro (s) da hora

Iniciei ontem a leitura de Cães da província, do escritor gaúcho Luiz Antonio de Assis Brasil. Não pude deixar de notar a influência machadiana. Não obstante, é impossível ficar indiferente diante das reviravoltas temporais feitas pelo autor, que são deveras inteligentes. O personagem principal da narrativa, é o dramaturgo brasileiro Qorpo Santo. Não é invenção do Assis Brasil, Qorpo Santo foi mesmo escritor de peças de teatro e sofreu mesmo uns distúrbios mentais básicos. Mas, pelo que pude perceber da trama até o momento, na Porto Alegre do século XIX, uma série de crimes passam a ocorrer, deixando a comunidade em alvoroço. Queridos amigos, li apenas quarenta e poucas páginas, não dá para saber se, em algum momento, vão acusar o pobre Qorpo Santo de alguma coisa (a menos que você queira muito ler o resumo na internet e saber o final). Além de Qorpo Santo, há Eusébio, um comerciante que é obcecado por sua esposa Lucrécia – que até a página quarenta e poucos deu no pé sabe-se lá para onde. Eusébio é grande amigo de Qorpo Santo, parece (até então) não se importar com aquilo que os outros falam sobre o grande gênio (de que ele é meio doidinho) no entanto,  a opinião pública exerce extremo poder sobre os atos do comerciante. Enfim, mais do mesmo, mas de um jeito muito esperto! 🙂

Volto para contar como foi a experiência de chegar até o final.

Boas novas! 

Finalizei hoje (22/04) a leitura de Cães da provícia… faço um copy/paste da review que deixei no goodreads.com!

Uma aventura que nos faz imergir sem medo de nunca mais retornar à superfície. Muito mais do que contar a história de uma figura importante (ou imaginar como teria sido, melhor dizendo), Cães da província se propõe a falar disso: dos cães que roem as estruturas da sociedade com suas ideias consideradas “normais”. Qualquer semelhança com O Alienista de Machado não deve ser mera coincidência. No entanto, Assis Brasil vai mais fundo na questão e destrincha os personagens com infalível maestria e administra as digressões, reviravoltas temporais com a mesma fortuna. Não é apenas a história de Qorpo Santo… é Eusébio e a loucura que ele vive ( que por ser em segredo, não fora “condenado”), é Lucrécia na sua morte-vida, é Dario Calado com suas artimanhas e anseios pelo que a sociedade espera dele. E o juíz… o juiz mesmo asfixiado pelo que sua consciência grita, prefere continuar naquilo que conhecem por “normalidade”. 

Talvez, durante a leitura, não se possa perceber o quanto o enredo é triste. Uma coisa, percebe-se de fato: vivemos isso agora, como se fosse um espelho da nossa vida “moderna”.

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