Listas de 2016 – Melhores do ano (parte 1)

Oi pessoal!

Esse post ainda não é o tradicional “top 10” (às vezes top 20!) dos melhores lidos do ano, mas aqui tem coisa boa também.

2016 foi um ano desgraçado, refugiar-se na literatura foi uma solução. Trago para vocês os melhores autores que descobri esse ano: John Steinbeck, Ana Paula Maia, Maria Valéria Rezende e Marcelino Freire.

O Steinbeck havia sido uma ótima surpresa em 2015, quando li Of mice and men. Só que podia ser apenas uma coincidência. Depois de The grapes of wrath não tive dúvidas: o cara é foda mesmo. Aí veio Tortilla flat, The pearl, The winter of our discontent e só passei a amar mais esse cara. Personagens à margem, com a esperança entalada na garganta, que regurgita e volta para o estômago, pois a realização do sonho não há. Espero ler agora nas minhas mini férias o The East of Eden.

Outra autora de 2016 que descobri e amei foi a Ana Paula Maia. Li todos os livros dela que estavam disponíveis na internet e certamente quando minha situação financeira melhorar quero ter todos em versão impressa. De todos eles, De gados e homens (que faz um paralelinho bem legal com Of mice and men, não?) foi o mais marcante. Por ter sido o primeiro, por abordar questões que estavam me incomodando faz tempo. Com certeza depois desse livro minha decisão de me tornar vegetariana ficou ainda mais decidida (mas a gota d’água foi o documentário Cowspiracy). Cheguei a mandar uma mensagem para a Ana pelo facebook dizendo que ela era muito foda (não com essas palavras, claro) e ela me respondeu, super fofa. Tomara que 2017 seja ano de um novo livro dela. Os personagens da Ana são marginalizados, em contextos que a gente quase nunca pensa: trabalham em abatedouros, caminhão de lixo, minas de carvão, crematório. E tu sentes a aproximação desses trabalhos de sobrevivência e uma anulação do ser humano, da sua dignidade, digamos assim. Edgar Wilson é o personagem que percorre vários títulos: De gados e homens, Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos e Carvão animal.

2016 foi meu ano de descobrir autoras, e desses aqui citados, certamente elas são as melhores que descobri. Maria Valéria Rezende foi outra surpresa maravilhosa. Sua prosa é cheia de uma simplicidade calculada, uma linguagem muito próxima do popular e cheia de artifícios. Os romances também giram em torno de pessoas simples, mas há uma suavizada, não é tão soco no estômago como a Ana Paula Maia. Li: Quarenta dias, Vasto mundo e O voo da guará vermelha (esse aqui tem um valor especial, me apeguei muito ao Rosálio e a Irene). Vasto mundo é o romance sobre uma cidadezinha fictícia no nordeste do Brasil, Farinhada, e os habitantes, com suas vidas sofridas, misérias, alegrias e absurdos compõem esse quadro, de um modo bem solto. Acho que seria possível ler os capítulos em ordem aleatória tranquilamente. Quarenta dias é uma história doida pra cacete. A narradora, Alice, é praticamente obrigada a mudar-se para Porto Alegre porque a filha quer engravidar e precisa de alguém que cuide da criança, afinal sua carreira é muito atribulada. Alice é abandonada pela segunda vez, quando a filha e o genro vão para o exterior para estudar. Deslocada daquilo que conhecia por casa, para uma função que não lhe cabe e que se concretizará apenas num futuro incerto, Alice rejeita a nova casa e parte para as ruas de Porto Alegre a fim de encontrar sua autonomia e suas raízes. O voo da guará vermelha é meu preferido porque ele celebra justamente aquilo que mais amo: a narrativa. Rosálio e Irene encontram-se por um acaso do destino e são as histórias o “cimento” entre eles. Não apenas o contar histórias, mas o aprender a escrever são emocionantes.

Também foi hora de descobrir o Marcelino Freire, com Amar é crime e o famoso Contos negreiros. Marcelino coloca a personagem no centro da narração, com linguagens e pensamentos bastante específicos. Novamente, nada de bom. O caos não se transforma em ordem e as vidas seguem com suas misérias e sacrifícios.

Espero que tenham curtido essa seleção e que fique de sugestão para o novo ano.

Bye!

Livraria Ler Devagar, Lisboa. LX Factory

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