Dicas para o fim de semana

Olá pessoas da blogosfera,

É uma vergonha o quanto fico ausente do blog, mas ao contrário do que se pensa, escrever não é apenas sentar o dia inteiro e esperar a coisa “vir”. Isso tanto no sentido da escrita criativa, quanto da acadêmica ou para informação – caso dessas postagens.

Desde a última visita a respeito do textão, li muita coisa bacana e às vezes me pergunto se dá tempo de assimilar muitas das grandiosidades com as quais nos deparamos. Caso de O Mestre e a Margarida, de Mikhail Bulgakov, tão cheio de referências e reviravoltas. Esse ritmo frenético se refletiu na leitura e acabei ficando sem saber se consegui mesmo sacar tudo contido ali. Na verdade, isso nem faz tanta diferença, pois é bom deixar umas lacunas para as releituras futuras.

Antes desse, li o belíssimo – e tristíssimo Salón de belleza, de Mario Bellatin, coisa que vi referência em um artigo em um livro da Maria Esther Maciel (aquela velha história de se sentir seduzido pelo enredo da coisa e não conseguir deixar passar a oportuniade).

O narrador em primeira pessoa expõe não apenas os seus dramas, mas também o de outras pessoas em sua mesma condição. Aparentemente, uma epidemia ataca a população e ele se vê obrigado a transformar seu salão de beleza em um local para que as pessoas passem seus últimos dias. Entretanto, apenas homens e em estado avançado da doença podem ingressar no local. Paralelo a isso, o narrador conta belas histórias sobre os peixes que povoaram seus aquários nos velhos tempos do salão de beleza. Chama a atenção como o anonimato de todos – narrador, doentes, peixes – faz com que o drama nos atinja de um modo forte, como se a ausência de nomes tornasse mais fácil enxergar a possibilidade de nos encontrarmos em tal contexto.

Já faço uma observação aqui, se nunca cheguei a mencionar tal coisa: a literatura latino-americana é maravilhosa (em todos os sentidos!). Quando houver oportunidade de ter contato com um autor latino-americano, não pense duas vezes: agarre-o! Ok termos Jorge Luís Borges e Gabriel García Marquez como grandes referências, mas fico com a impressão de que a nossa visão das coisas por toda a questão cultural, colonial de América nos favorece quando o assunto é literatura. O universo criado aqui é diferente daqueles surgidos nos EUA ou Inglaterra, diferentes contextos gerando diferentes reações diante da vida. Na seleção de contos fantásticos (Antologia de Literatura Fantástica, Cosac Naify) organizada por Silvana Ocampo, Borges e Bioy Casares tem vários autores latinos muito bons, por sinal.

Antes disso (que estranha essa ordem na hora de fazer uma resenha) li O filho eterno do Cristóvão Tezza e confesso que fiquei muito surpresa – positivamente. Achei muito interessante a forma como ele colocou os seus conflitos internos no papel.Uma coisa ficou muito evidente para mim, a luta era só dele com ele mesmo. A vaidade dele enquanto escritor e seus livros, uma pessoa que deveria ser pai de um cara capaz de ter muito sucesso nas coisas esperadas pela sociedade e principalmente alguém que se orgulhasse e compreendesse seu trabalho literário. Talvez haja uma ponta de inveja no universo de Felipe, não sei. Ok, ele soou bastante egoísta no lance todo e não tinha como ser diferente.

Além dos livros citados, recomendo muito Desonra, de J. M. Coetzee; Vozes de Tchernóbil de Svetlana Alexievich; Diários de Susan Sontag e Doze anos de escravidão de Solomon Northup.

Estou lendo The time machine, do H.G. Wells e estou curtindo bastante… vamos ver no que dá!

Deixo vocês com essa capa bacana de Animal farm que encontrei nas andanças por Lisboa.

Novidades vindo por aí. See you soon!

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