Melhores lidos em 2015

Hey,

A semana tem sido difícil. Pesada. Nublada. Péssima. Aquele momento que ninguém acreditava ser possível chegou: Bowie faleceu. Apesar da dor da perda de um ídolo dessa magnitude, estou feliz com as homenagens feitas a ele, isso só demonstra o peso da sua importância como artista.

Em geral a minha lista dos melhores lidos em tal ano sai no final de dezembro, mas tinha tanto livro na fila que foi impossível preparar um post naquela época. Fiz meu top 20 e divido com vocês agora.

20 – Toda poesia, Ferreira Gullar

É muito difícil e complicado ler trabalhos desse tipo, isto é, reunidos todos em um volume e você lê tudo de uma vez só, sem ter muito tempo ou muita preocupação em captar o espírito de cada trabalho em cada época. O mais importante é que a poesia tocou e isso é a arte: a capacidade de tocar a gente.

19 – Olhai os lírios do campo, Érico Veríssimo

Como toda obra de Veríssimo, o romance toca na questão social da pobreza e da riqueza, fazendo com que o Eugênio Pontes, de origem humilde, acabe casando com Eunice, por interesse, mas apaixonado por Olívia, colega dos estudos de Medicina. Basicamente o conflito todo se resume no complexo de inferioridade de Eugênio e por muitos momentos você vai odiar esse personagem e em outros irá apenas compreendê-lo.

18 – O homem duplicado, José Saramago

Uma narrativa impressionante sobre sujeitos e sobre literatura. O melhor, além da situação absurda de um homem duplicado, é a figura do narrador e as intervenções astutas do senso comum.

17- Nove noites, Bernardo Carvalho

Uma narrativa envolvente, dinâmica, misteriosa e ao mesmo tempo reveladora, misturando histórias ditas reais e as ditas de ficção. A história de Buell Quain parece interessantíssima por si só, a literatura apenas a deixou maior e mais intensa.

16- O outro, o mesmo, Jorge Luís Borges

Um livro cheio de labirintos, de Ulisses, de tempo, um poema intitulado Edgar Allan Poe e o meu preferido: “O mar.” Borges e ponto.

15 – Os conjurados, Jorge Luís Borges

Depois de ter lido O outro, o mesmo, Os conjurados continua a ecoar versos do tempo, dos labirintos e dos mitos

14 – Água viva, Clarice Lispector

Eu nunca fui uma super fã da Clarice e não sei se algum dia tal furor irá despertar. Reconheço que é preciso muito talento para fazer o que ela faz, mas não é o meu tipo. Entretanto, acho Água viva o melhor romance dela até o momento. Uma ótima obra para refletir sobre a linguagem, esse deve ter sido o motivo para eu ter curtido tanto.

13- Uma duas, Eliane Brum

Ótimo é pouco para descrever esse livro. É uma sequência de golpes na carne. Espetacular. Você certamente vai ler várias coisas inesperadas ao longo da trama e acho que esperar pouco ou nada de autores novos serve como um tapa na cara da gente, porque a literatura não está perdida! 🙂

12- O sol é para todos, Harper Lee

Uma história sobre injustiça e racismo pelos olhos da pequena Scout. Suaviza de um jeito pesado os eventos ocorridos em Maycomb.

11- Divórcio, Ricardo Lísias

A história começa super bem: o narrador acorda, se percebe sem pele, você imagina estar num episódio de Criminal Minds. Vc pensa: vai ser do caralho! Entretanto, a coisa fica confusa lá no meio. O narrador se mescla com autor ao contar todo o processo do divórcio – ele lê o diário da ex e fica muito puto com o que descobre.
Talvez o que mais tenha me incomodado – e temo ser uma tendência na literatura brasileira contemporânea – é essa metaliteratura boba da escrita como tábua de salvação do sujeito. Ela até pode ser. Mas quando tu fica falando que há uma força que te leva a ser ficção, acho fraco. Isso já aconteceu no romance Uma duas, da Eliane Brum, o qual achei muito bom, tirando essas partes de reflexão senso comum do eu-ficção/eu-carteira de identidade.
Divórcio é um bom livro, vc ñ vai ter sensação de ter perdido seu tempo.

10- A ilha do Dr. Moreau, H.G. Wells

Minha review sobre esse livro no goodreads foi tão direto e reto que vou ter que pensar em algo novo agora. Lembro de ter ficado muito chocada na época, toda a questão da ilha, dos experimentos transformando animais em humanos foi punk de digerir, mas o modo como isso nos diz respeito filosoficamente faz essa obra ser essencial na vida de qualquer pessoa, de qualquer leitor.

09 – Antologia da Literatura Fantástica, Bioy Casares, Borges e Ocampo

Todos os contos, fragmentos de contos e de romances dessa antologia são ótimos. Embora misture literatura oriental e ocidental, senti uma forte presença da literatura produzida na Argentina, o que serve para comprovar a maestria com que os autores latino americanos dominam o campo do fantástico.

08- Como morrem os pobres e outros ensaios, George Orwell

Nesse livro, Orwell prova a sua versatilidade como escritor. Ainda, os clássicos 1984 e Animal Farm ficam mais claros para o leitor, pois são fruto de uma reflexão profunda ao longo dos anos do autor. Experiências horrendas em hospitais, no colégio interno, ensaios sobre futebol (com afirmações chocantes, porque reais) contribuíram para o talento desse grande cara.

07- Poética, Ana Cristina César

Em 2013 foi lançada a Poética de Ana Cristina César pela Companhia das Letras. Sempre tive vontade de ler, mas parecia algo meio sem sentido me atirar em algo que parecia ser uma “moda”. Porque eu não tinha conhecimento de quem era essa mulher. O suicídio dela, aos 31 anos me atraiu de certa forma. Mas existem momentos.
Dois anos depois do furor inicial, embarquei nesses versos, nessas linhas desconexas que arrebatam a gente. Pelo menos em mim a repercussão foi enorme.
Sua produção abarca tanto poesia quanto prosa, essa geralmente em forma de cartas, delineando um “a quem”.
Imagens bonitas se formam tanto nos relatos extensos e intensos quanto nos registros sintéticos como em “recuperação da adolescência”: é sempre mais difícil/ancorar um navio no espaço.

06- Ariel, Sylvia Plath

Da Sylvia Plath eu só havia lido The bell jar e já tinha achado bem bizarro, mas a poesia dela foi pra matar – literalmente. Ela cria umas metáforas muito tensas, várias culminando no tema de vida e morte.

” i rise with my red hair/ And I eat men like air” (Lady Lazarus)

05- Of mice and men, John Steinbeck

One-sit reading sem dúvidas, a história de George e Lennie é emocionante e ao mesmo tempo triste. Não sei se tô surpresa, chocada, triste ou o que. Recomendo recomendo recomendo. Steinbeck consegue entrar na miséria humana e nos ensinar algo através dela. 

04- Do desejo, Hilda Hilst

Um dos melhores livros de poesia que já li e reli várias vezes, inclusive. Ainda tentando decifrar essa relação de amor/ódio, sagrado/profano da Hilda com “Aquele Outro”.

03- Guerra e paz, Tolstói

Foi uma experiência muito legal ter encarado esse livro, pois o Tolstói é um ótimo contador de histórias. Segurar o leitor por 2490 páginas não é fácil! A obra tem seus pontos altos, porém fica evidente que o autor quer provar alguma coisa, isto é, ele quer cutucar o modo como a história é escrita – colocando nos ombros das personagens históricas toda a responsabilidade dos acontecimentos. Para isso, ele vai criar personagens que nem me marcaram tanto assim, e irão transitar em dois momentos de conflito entre França e Rússia. Guerra e paz ilustra que, por trás da imponência e ordem de Napoleão muitos outros eventos acontecem e isso escapa qualquer lei que a história tente encontrar.

02- O tempo e o vento, Érico Veríssimo

Apesar de toda a minha implicância com Rodrigo Cambará, viver em Santa Fé com essas personagens durante 5 meses, nos 7 volumes da série foi uma experiência única, como toda história que Érico Veríssimo conta. Ler Érico não é passar o tempo, mas é criar laços com as personagens, ter que ouvir suas reclamações e suas alegrias. Vou sentir saudade da Ana Terra, da Bibiana, do velho Fandango, do Floriano e até mesmo do doutor Rodrigo Cambará, por que não? Essa obra é um acontecimento na vida de uma pessoa.

01- Os miseráveis, Victor Hugo

Certamente o livro mais marcante de 2015. Lembro de ter feito uma espécie de diário de cada tomo e acompanhado com total avidez a progressão daquela narrativa absurda sobre a vida e a miséria de Jean Valjean e todos aqueles envolvidos com ele.

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Livraria Ler Devagar, no LX Factory, Lisboa, Portugal (2016)

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4 pensamentos sobre “Melhores lidos em 2015

  1. 15 – Os conjurados, Jorge Luís Borges s2

    Migaa, não te conheço mas já considero pacas! Muita sorte nessas trilhas literárias e teu gosto é realmente algo espetacular. Vamos trocar uma boa ideia, sempre!

    Kind Regards!

    Joey

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