Desafio Literário do Tigre, Janeiro – parte 1

Olá,

Retorno das profundezas do além para dar início aos trabalhos de 2015. Estou ansiosa para colocar aqui a minha resenha sobre Os miseráveis, mas antes é preciso falar sobre o que veio antes, ou seja, a Antologia da literatura fantástica, organizada por Adolfo Bioy Casares, Jorge Luís Borges e Silvina Ocampo, ficando nas categorias (do desafio) de:  autor estrangeiro, para ler antes de dormir, com mais de 300 páginas, com a capa alaranjada e com a capa linda. Clique AQUI para ver todas as categorias.

Eu não esperava menos do que cinco estrelas desse livro, sinceramente. O Borges (o único da turminha que eu já conhecia) é um leitor espetacular, então o sucesso das escolhas reflete muito essa leitura boa dele. O Bioy Casares eu fiquei conhecendo pela Antologia mesmo e já estou com o primeiro volume das suas Obras Completas, lançada pela Globo Livros, na minha estante. Acho que depois de ter ficado um mês mergulhada nas quase duas mil páginas d’Os miseráveis, está na hora de dar uma espiada em A invenção de Morel, do Bioy.

Essa antolgia reúne contos, trechos de romances e de contos e é nessa dos “pedaços” que a gente se rala, porque são nesses parágrafos que estão os elementos que nos “pegam”.

Bom, tem de tudo por aqui: Edgar Allan Poe, H.G. Wells (MESTRE), Rabelais, James Joyce, muitos outros autores argentinos (e bons!), com alguma coisa de literatura oriental também.

Vou comentar alguns contos que achei muito legais, começando por “Um lar sólido”, de Elena Garro (escritora mexicana, foi casada com Octavio Paz ❤ ). O conto, na verdade, tem um formato teatral, apresentando nome e idade das personagens no começo, adicionando dados sobre o ambiente. A trama se desenvolve através do diálogo das personagens. [SPOILERS]: Basicamente, a família composta por Clemente, Dona Gertrudis, Mamãe Jesusita e Catalina esperam uma visita (a qual não identificam, a princípio). A descrição do cenário já dá pistas suficientes para o leitor de que se trata de um cemitério, todos estão numa tumba, esperando os novos integrantes. Essas pessoas-espírito se transformam em outros elementos, dando continuidade ao ciclo da vida. Nenhum resumo substitui a leitura, aqui só dei uma “passada por cima” do enredo. Foi um dos que mais me chamou a atenção.

SPOILERS

Outro conto muito legal é “Os vencedores de amanhã”, do matemático inglês Holloway Horn. A história está centrada no encontro de Martin “Knocker” Thomson com um cara, “o velho”, que tenta vender-lhe um jornal da noite do dia seguinte. Knocker acha tudo muito esquisito, mas nesse jornal está o resultado de uma corrida de cavalos. É a grande chance de Martin recuperar algum dinheiro. Martin acabou por pegar o jornal e, de repente, viu-se a sós com a escuridão. Meio em dúvida se era mesmo da noite do dia seguinte ou não, conferiu várias vezes o calendário para certificar-se. Não havia erro, o jornal era mesmo da quinta-feira, 29 de julho de 1926. Martin Knocker consegue ganhar o grande prêmio. Está radiante, os bolsos cheios de dinheiro. Entretanto, há uma notícia no jornal que chama a sua atenção: “Morte no trem”. Ele está no trem. Martin morre sufocado pelo porvir.

O último conto que vou comentar, ao qual não farei nem 10% da justiça que merece (tenho uns 15 minutos para terminar issaqui e ir trabalhar!), mas o troço é tão, mas tão tão FODA que… bem, lá vamos nós. O conto em questão é “O caso do finado Mr. Evelshan”, de H.G. Wells. Eu realmente escrevi no post-it marcando a página “H.G. Wells: MESTRE, FODA”, o conto foi muito pirado para mim. De uma forma bem basicona: um jovem vê seu destino atrelado ao de um sapateiro. O velho sapateiro convida-o para um almoço e, apesar de ser tudo um tanto estranho, acaba aceitando. O homem lhe diz que já está muito velho e acumulou muito dinheiro ao longo de sua vida, portanto precisa dar um destino para a sua fortuna. Obviamente sua primeira ideia é dar tudo ao jovem que ali está. No entanto, há uma preocupação excessiva do velhinho com a saúde daquele que herdará o dinheiro. Tendo passado por uma série de exames, o jovem (Edward Eden), está aprovado para herdar a grana. Os dois, jovem e idoso, comemoram o feito em um restaurante. O velho abre um pacotinho contendo um pó e deposita nos dois copos. Os dois bebem. [SPOILER] Trocando em miúdos, esse pó, essa celebração faz com que os dois troquem de corpo. O velho, vira jovem e o jovem vira velho, rico. Isso é uma grande sacada do Wells, porque coloca em discussão a juventude e o dinheiro, a real importância de um e de outro. O sobrenome do guri ser “Eden” também tem uma carga simbólica fortíssima, pelo menos para mim.

Há tantos outros contos incríveis, não caberiam numa resenha super resumida. Tem fragmentos de James Joyce, tem Kafka, Guy de Maupassant… marquei quase todos os contos como “muito bom”, “ótimo” e todos os restantes eram bons de alguma forma também.

Fui! Mas volto em algumas horas com Os miseráveis!

Edição super caprichada (não seria diferente) da Cosac Naify.

Edição super caprichada (não seria diferente) da Cosac Naify.

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