Adeus, 2014

Esse ano, livrísticamente falando, foi muito produtivo.

Li muitas coisas diversas e legais. Academicamente, tive muito contato com pós-modernismo, poesia e oralidade.

O que li “por fora” foi significativo, me fez ver várias coisas sobre tudo: a vida, minha profissão, meu destino como doutoranda… continuamos.

AS METAS:

Todo fim de ano eu traço uma ‘to-read list’ e, dependendo do estado de espírito, sigo ou não.

Para esse ano, a ideia foi:

– Ler coisas mais contemporâneas (+- cumprido)

– Poemas do João Cabral de Melo Neto (realizei em 2013 mesmo)

– Grande sertão: Veredas (nem perto, nem perto)

– Trilogia 1Q84 (sim)

A clockwork orange (sim)

– O que der para ler do Gabriel García Marquez (sim)

– O Borges, o quanto der (acho que sim)

– Crônicas de Drummond (siiiim)

– Começar e terminar A visita cruel do tempo (sim)

– Reler Cem anos de solidão (num deu)

Olhando essa lista novamente, ela parece tão pequena. Na verdade, a gente nunca sabe com o que vai se deparar e aquilo que será interessante ler.

O QUE FOI:

Tentarei escrever sobre os livros mais impactantes lidos nesse ano.

1Q84, Haruki Murakami

Do que consigo lembrar sobre esse romance, tenho apenas algumas ressalvas. Mas vamos desde o começo. 1Q84 é uma mistura de mundos, no qual Aomame já não sabe onde está exatamente, sentimento confuso partilhado também por Tengo. Esses são os dois personagens principais e muitas coisas acontecem até que seus destinos possam se encontrar novamente. O durante do romance é muito bom, principalmente do primeiro volume. O segundo tem momentos de bastante tensão, assim como o terceiro, mas acho que se perde um pouco da adrenalina inicial. O final não me deixou muito satisfeita. A Aomame é uma personagem forte no início de 1Q84 e termina como uma princesa Disney, quase isso. No entanto, não vale a pena descreditar essa grande narrativa apenas por conta de um final meio ‘assim’.

The bell jar, Sylvia Plath

A história de uma moça que está no auge da sua carreira e entra em depressão, sabe-se lá o por quê. Durante um estágio para uma revista em Nova York, Esther (personagem) simplesmente surta. E todo esse surto é narrado pela própria Esther, o que tornam as coisas muito mais interessantes, pois é o que ela está sentindo no momento que se destaca e muitas vezes aquilo que ela não sente. O momento em que ela ‘se dá por conta’ que está usando a mesma roupa por não sei quantos dias dá uma noção de quanto isso pode ser tenso.

Se um viajante numa noite de inverno, Italo Calvino

Um dos melhores livros que já tive o prazer de ler, sem dúvidas. Mas se vocês me perguntarem sobre o que é exatamente: difícil dizer! Se um viajante… é uma trama dentro de uma trama dentro de outra trama! Simplesmente demais! Insano e demais! A coisa é muito metaliterária. Existe algo sobre leitores e escritores muito bacana – pena que eu não consiga expressar esse algo. Inefável. Repara a maluquice:

“Você vai começar a ler o novo romance de Italo Calvino, Se um viajante numa noite de inverno. Relaxe. Concentre-se. Afaste todos os outros pensamentos. Deixe que o mundo a sua volta se dissolva no indefinido. É melhor fechar a porta; do outro lado há sempre um televisor ligado. Diga logo aos outros: ‘Não, não quero ver televisão!’. Se não ouvirem, levante a voz: ‘Estou lendo! Não quero ser perturbado!’. Com todo aquele barulho, talvez ainda não o tenham ouvido; fale mais alto, grite: ‘Estou começando a ler o novo romance do Italo Calvino!’. Se preferir, não diga nada, tomara que o deixem em paz.” (Italo Calvino)

Isso não é o prefácio, isso é  a introdução. Por isso é que você não quer largar depois que começa.

In cold blood, Truman Capote

Não consigo lembrar muitos detalhes do livro, além de ser um estudo bem detalhado pelo Capote sobre o assassinato da família Clutter, em Kansas e a punição dos assassinos Perry Smith e Dick Hickcock. Eu sempre via esse livro em várias listas de recomendações e, inclusive, teve um ano que era leitura para a seleção do mestrado na PUCRS. BUT, o interesse apenas surgiu após assistir o filme Capote com a atuação brilhante do Philip Seymour Hoffman (uma das muitas grandes perdas de 2014). O que me intriga em In cold blood é que a narrativa documenta o real, mas de um jeito muito literário ao mesmo tempo. Era isso que me afastava dele: o contato muito íntimo com a informação. Ainda bem que me surpreendi para melhor. O livro é sensacional. Palavras não podem explicar. Li em inglês, não é muito complicado para quem já está no nível avançado. Mais que recomendo.

O resto é silêncio, Érico Veríssimo

Já comentei bastante esse livro neste link AQUI. É daqueles que a gente começa e quando termina dá saudade.

Crônicas de Carlos Drummond de Andrade, comentadas detalhadamente nos links a seguir:

Os dias lindos e Boca de luar 

A clockwork orange, Anthony Burgess

A intensidade de A clockwork orange é o que faz você vencer todas as barreiras linguísticas imagináveis, sejam elas em inglês ou português. Bem diferente do filme, no final Alex encontra sua redenção.

O som e a fúria, William Faulkner

Esse entra na lista dos ‘adorei, mas não sei explicar’. Realmente precisa ser relido e não sei até que ponto juntar as arestas vai ajudar a melhorar o entendimento. Às vezes, é bom ficar em aberto.

Livro das mil e uma noites (vol. 1), Anônimo

Bom, o enredo nuclear diz respeito à Sherazade contando histórias para salvar sua vida. Para tal, narrativas e mais narrativas surgem, e o resultado são quatro volumes fantásticos.

Metaphors we live by, George Lakoff e Mark Johnson

Além de demonstrar passo a passo como algumas metáforas presentes em nossa cultura estruturam-se em nosso “coherent system”, Lakoff vai criticar o mito do objetivismo e também do subjetivismo, propondo uma terceira vertente, a experimentalista.

O que fica de aprendizado é que as metáforas não são apenas figuras de linguagem, mas são parte das nossas vivências, conectam-se com as mais variadas interações do ser. Ainda, ressalta o poder gigantesco das metáforas pelas quais vivemos, nas quais acreditamos. (review publicada ali no Goodreads).

Vincent, Barbara Stok

A graphic novel conta a história de vida do magnífico e pirado Van Gogh. Particularmente, eu adoro Starry  night, mas as outras pinturas dele também são magníficas. O que mais me impressionou foi a paixão fervorosa dele pela arte. E talvez, tenha sido isso o que o levou a ficar tão obsessivo com a ideia de trabalhar e fazer com que os pintores fossem reconhecidos em vida. A autora da graphic, Barbara Stok usou cores vibrantes nos quadrinhos, ressaltando ainda mais o espirito Van Gogh.

Para 2015:

Já fiz minha listinha de desejos para o próximo ano… será que consigo?

Guerra e paz, Tolstoi

O jogo da amarelinha, Cortázar

Livro das mil e uma noites (vol. II)

Antologia de literatura fantástica, Borges e Bioy Casares

Os miseráveis, Victor Hugo

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