Como sobrevivi ao mestrado

Para desabafar a minha tensão, resolvi escrever um pouco sobre a minha experiência no mestrado. Quem sabe, possa ajudar alguns coitados mestrandos nessa nova empreitada.

Avaliemos a situação: 2 anos para escrever um trabalho consistente. No meu caso, o mestrado em História da Literatura, você tem que passar um ano se dedicando às disciplinas (totalizando 8 no fim de tudo), sobrando apenas míseros 12 meses para escrever e defender ‘a coisa.’

Sempre morri de véspera, sempre morrerei, sempre serei trágica e atriz de novela mexicana de primeira. Fiz um drama, me estressei, sempre ficava com aquela pergunta “será que consigo?” na minha cabeça. Ia para a biblioteca da FURG rezando para ter silêncio e nunca tinha. Dava raiva. Vontade de morrer, de matar.

Psicologicamente falando, 2013 foi um ups and downs do caramba. Mas raramente deixei de sair por conta da escrita. Estudava e escrevia um pouco todos os dias e acho que essa disciplina me ajudou bastante.

Outra coisa foi ser completamente louca pelo assunto que escolhi abordar na dissertação. Passar meses com Drummond, Poe e Bachelard foi a coisa mais linda do universo. Estressante, complexo às vezes? Sim. Mas era amor. Sempre foi amor desde o minuto em que a lâmpada acendeu em cima da minha cabeça, que nem desenho animado.

Na hora em que tu tá no meio do furacão, sim, é desesperador. Hoje, com o trabalho pronto esperando o dia da chibatada final, digo que foi super tranquilo, barbadinha. Não foi, é mentira. Mas você pode fazer um ótimo trabalho se amar aquilo que faz e se dedicar. Não tem fórmula mágica, é isso aí mesmo: dor de cabeça e entrega total.

Porém, como falei, sempre sobra um tempo para desenvolvermos outras coisas, nos divertirmos. Se a pessoa se disciplinar, sim.

Então, retomando as dicas:

1- discipline-se. arrume um horário adequado para estudar. não precisa escrever 70 páginas num dia. se você conseguir passar um bom tempo lendo e assimilando as ideias que quer defender para, então, sentar a bunda na cadeira e colocá-las (as ideias, não a bunda!) na tela do computador, isso já é um grande feito. ler e escrever as coisas ao mesmo tempo, ao menos para mim, é sempre mais tortuoso (o projeto de doutorado foi nessa vibe e eu quase infartei).

2- faça coisas legais. você passou o dia inteiro lendo uma penca de teoria pesada, viageira do caramba. presenteie-se com algo que gosta muito: uma série de tevê, um filme, uma partida de candy crush (descobri que passar de fase era pior que estudar, então sempre voltava para os livros), um banho de 50 minutos, você escolhe.

3- tenha sempre um outline dos capítulos. antes de escrever qualquer coisa, rabisque por aí a ideia que quer desenvolver ao longo do trabalho. vá juntando esses rabiscos e analise o que vai dar mais certo no final, o que será mais completo e, ao mesmo tempo, mais fácil.

4- procure não se restringir às leituras do trabalho. por mais maluco que isso possa parecer, mesmo no meio do furacão consegui ler uma porção de coisas que nada tinham a ver com o meu trabalho. acabou que, no fim das contas, descobri coisas ótimas que me ajudaram a ampliar os horizontes, algumas até foram citadas ao longo da dissertação por afirmarem algumas ideias que eu queria abordar.

Agora é defender a coisa. Tô apavorada? Claro. Um pouco. Sei lá. No dia a gente vê.

Mas vou sentir saudades. Isso, vou. =)

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2 pensamentos sobre “Como sobrevivi ao mestrado

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