A visita cruel do tempo – #DLdoTigre Janeiro: Na estante

Finalmente, consegui cumprir um desafio: começar – e terminar! – A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan.

Não é o caso da história ser pouco atrativa. Ela inicia de forma bem inusitada – um capítulo dedicado à cleptomaníaca Sasha, assistente de um produtor musical Bennie Salazar, a quem pertence o segundo capítulo. Sua rotina de caça-talentos e sua estranha mania de salpicar ouro no café, no intuito de procurar uma vigorisidade perdida é um ponto da vida de Bennie a ser tratado.

Avançando um pouco, vários personagens vão surgindo e a narrativa mescla passado/presente, revela em poucas linhas o futuro de alguns personagens. O importante sobre A visita cruel do tempo é esse mosaico de personagens e de fases de suas vidas.

Um dos contrastes mais visíveis é a diferença gritante da vida da adolescência para a da idade madura. Não se trata apenas de aparência. Sasha envergonha-se do período que viveu em Nápoles, sendo uma ladra de carteiras e se prostituindo, muitas vezes, para sobreviver. E esse é apenas um exemplo. Todos os seres interligados nessa narrativa possuem algo discrepante que os faz, por essa razão, pensar na visita nada agradável do tempo.

Sim, o livro possui um capítulo todo em segunda pessoa. Não é nada de outro mundo, apenas somos obrigados a ser Rob. Pois o narrador pontua “você diz”, “você pensa”, mas o “você” é Rob, então, por osmose somos Rob também.

Outra coisa interessante é o longo capítulo em power point. Achei uma super sacada, pois é um diário de slides da filha de Sasha, escrito em 202-. Faz a gente refletir sobre as formas de expressão que poderão ser utilizadas um dia (ou não, duvido muito os adolescentes quererem utilizar um diário de slides futuramente).

É um livro muito bom, embora eu tenha demorado a cair na real.

Ainda não sei se vou começar a ler O processo tão cedo. Comecei The bell jar, da Sylvia Plath e estou engatinhando n’O livro das mil e uma noites – vol 1. Talvez o Kafka deva esperar mais um pouco.

 

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2 pensamentos sobre “A visita cruel do tempo – #DLdoTigre Janeiro: Na estante

    • Eu demorei demais a engrenar na leitura. Esses dias, vi uma matéria publicada pela Veja na internet, de uma entrevista que a Jennifer deu quando veio para a FLIP. Ela disse que esse livro tinha essa proposta mesmo, de ser descontínuo, uma coisa mais próxima de reunião de contos. Aquele capítulo em power point é muito legal, uma das coisas mais interessantes que já vi na literatura contemporânea. Dá de mil a zero nos guardanapinhos do menino aquele do Antônio. hehehe

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