Cinco “buracos negros” da literatura – # 1

Não sei se por vontade de escrever alguma coisa de útil hoje, ou, para apenas protelar responsabilidades, mas creio que esse post vai ser legal.

Pensei em cinco livros cuja leitura do primeiro parágrafo já puxam a gente para sua própria órbita e a gente só sai depois quando termina. Justamente porque li – sem compromisso – as primeiras linhas de O arco e a lira e creio que ele vai me puxar pro mundo dele hoje. (Só que tem um Durand no meio do caminho, affe)

Enfim…

Deixo vocês com a minha seleção dos cinco “buracos negros” literários – primeiro take. Pretendo realizar mais dessas coisas e motivar a leitura das obras.

Lá vai! [ordem apenas para organizar, sem hierarquias]

1- O arco e a lira, Octavio Paz (edição da Cosac Naify, 2013)

“A poesia é conhecimento, salvação, poder, abandono. Operação capaz de transformar o mundo, a atividade poética é revolucionária por natureza; exercício espiritual, é um método de libertação. A poesia revela este mundo; cria outro. Pão dos eleitos; alimento maldito. Isola; une. Convite à viagem; regresso à terra natal. Inspiração, respiração, exercício muscular.”

2- Odisseia, Homero (edição da Penguin Companhia das Letras, 2011)

CANTO I

“Fala-me, Musa, do homem astuto que tanto vagueou,

depois que de Troia destruiu a cidadela sagrada.

Muitos foram os povos cujas cidades observou,

cujos espíritos conheceu; e foram muitos no mar

os sofrimentos por que passou para salvar a vida,

para conseguir o retorno dos companheiros a suas casas.”

[foi foda sair desse e passar pro seguinte, quem consegue é insensível!]

3 – A metamorfose, Franz Kafka (edição da L&PM Pocket, 2006)

“Certa manhã, ao despertar de sonhos intranquilos, Gregor Samsa encontrou-se em sua cama metamorfoseado em um inseto monstruoso.” (suficiente, claro. mas vamos adiante!) “Estava deitado sobre suas costas duras como couraça e, quando levantou um pouco a cabeça, viu seu ventre abaulado, marrom, dividido em segmentos arqueados, sobre o qual a coberta, prestes a deslizar de vez, apenas se mantinha com dificuldade.”

4 – Cem anos de solidão, Gabriel García Marquez (edição da Record, 2013)

“Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o comandante Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo. Macondo era então uma aldeia de vinte casas de pau a pique e telhados de sapé construídas na beira de um rio de águas diáfanas que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos.”

5 – Tlön, Uqbar, Orbis tertius, conto de Ficções, Jorge Luis Borges (edição da Companhia das Letras, 2007)

“Devo à conjunção de um espelho com uma enciclopédia a descoberta de Uqbar. O espelho inquietava o fundo de um corredor de uma chácara da rua Gaona, em Ramos Mejía; a enciclopédia se chama, de forma falaz, The Anglo-American Cyclipaedia (Nova York, 1917) e é uma reimpressão literal, mas também tardia, da Encyclopaedia Britannica de 1902.”

Aproveito o gancho para demonstrar o que mais me ‘incomoda’ no Borges (esse incômodo que vivo me referindo quando trato de literatura é uma coisa muito boa. incomoda pode ser entendido como instiga) é que tudo que ele escreve parece ser ‘de verdade.’ A gente sabe que o cara é escritor, o nome da porcaria do livro é FICÇÕES, mas ainda assim o cara parece estar falando as coisas ‘de verdade’. Sorry, mas acho isso foda.

Largo a bronca para quem ler a postagem e tiver algum dos títulos em uma estante qualquer. O findi tá ótimo para uma leitura desse nível.

Desligo!

Cinco livros fascinantes e grudantes!

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2 pensamentos sobre “Cinco “buracos negros” da literatura – # 1

  1. Pingback: Anos de solidão mais só – Perdemos Gabo | In the sky

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