O arrumador de palavras: Toda poesia, de Leminski

Paulo Leminski surgiu para mim como “o livro que tem uma capa laranja e um bigode.” Confesso, não tinha a mínima ideia de quem era o escritor até surgir essa reunião de toda sua obra, a qual permaneceu durante muito tempo na lista de mais vendidos. Hoje, 19 de junho de 2013, ocupa a 12ª posição segundo a Veja (blergh, mas tá né) e a 16ª posição de acordo com o site Publishnews, no entanto, é baseada no levantamento realizado entre 3 e 9 desse mês.

Porém, acho muito legal um livro DE POESIA, gente(!) se manter em uma colocação tão boa durante tanto tempo.

A biografia do autor pode ser encontrada em qualquer biboca virtual, portanto não ficarei falando da vida de Leminski. Mãos à obra!

Quem pensa que poesia contemporânea é feita à esmo, sem eira nem beira, quanto mais rima, está redondamente enganado. Leminski usa e abusa das palavras, brinca com elas, desarruma, inventa, faz neologismos, escreve em inglês, faz haikai, condensa um mundo em três versinhos.

Toda poesia do poeta do bigodinho

A edição, lançada pela Companhia das Letras é caprichadíssima, como de costume. A vibe concretista do poeta também é muito bacana. O legal de ler toda a obra dele é perceber como ele se reinventou ao longo do tempo. Manteve, obviamente as rimas, a troca de palavras, o trabalho braçal com a sintaxe, mas nos livros mais recentes (publicados postumamente) percebemos uma não economia poética: Leminski arrisca poemas longos.

Aqui, uma mostra da parte poético-gráfica dele:

Do livro Caprichos e relaxos, seção "Sol-te" (o livro é dividido em sete partes)

Leminski é o poeta metapoético e questionador da razão de ser, mesmo às vezes parecendo querer dizer outra coisa. Definitivamente é o escritor que se preocupa com a página/folha/papel em branco. Inquieta-se com esse reflexo e de repente, um mosquito é uma letra que surgiu no verso.

Olha a poesia concisa, que bonita:

Ex-estranho

A edição ainda possui um apêndice com textos de Alice Ruiz S, Haroldo de Campos e Wilson Bueno, entre outros.

Outro dado importante sobre o escritor curitibano deve-se a sua incansável intertextualidade. Tem Joyce, Dostoievski, Rolling Stones e Beatles.

Missão cumprida, recado dado.

Câmbio, desligo!

Anúncios

Um pensamento sobre “O arrumador de palavras: Toda poesia, de Leminski

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s