O enigma de Borges e a coleção portátil da Cosac Naify

Hoje, o post é dedicado a algumas novas aquisições dos últimos tempos. Bibliofilia é triste (ou não).

Primeiro, gostaria de (e vou) comentar a novidade (pelo menos por aqui nos confins do Rio Grande) da Cosac Naify e sua coleção portátil, aquilo que conhecemos como “pocket” ou “de bolso” mesmo. Cito alguns títulos disponíveis na única livraria da cidade (que vergonha):  Uma criatura dócil (Dostoiévski), Antropologia cultural (Claude Lévi-Strauss), O som e a fúria (William Faulkner) e Como funciona a ficção (James Wood).

James Wood e Dostoiévski (mais um!) incluídos na booklist

James Wood e Dostoiévski (mais um!) incluídos na booklist

A Cosac Naify é uma editora super conceituada e caprichosa. Reeditou O arco e a lira de Octavio Paz que é uma lindeza de livro teórico sem parecer sê-lo. Aviso aos interessados: o livro está em promoção no site, clique aqui. Os livros dessa editora são, em geral, de preço elevado, mas valem o investimento tanto pelo conteúdo quanto pela apresentação do objeto livro. Uma coisa que achei super legal na edição portátil foram as ilustrações feitas para o volume de Dostoiévski. Coisa assim eu só tinha visto pela Editora 34, outra grande editora ‘das boas’, a qual possui obras traduzidas diretamente do russo de autores como Dostoiévski, Tchékhov, Leskov e Tolstói entre outros clássicos (Lazarillo de Tormes, A divina comédia).

Uma criatura dócil: tradução de Fátima Bianchi e ilustrações de Lasar Segall

Uma criatura dócil: tradução de Fátima Bianchi e ilustrações de Lasar Segall

Os portáteis da Cosac, pelo que percebi, oscilam entre R$15,90 e R$47,90, dependendo do tamanho da obra. Repito: vale o investimento. Não insisto muito porque não ganho para fazer propaganda de nada, porém acho legal comentar para os interessados em literatura quais são as melhores editoras, os lançamentos, as reedições, as melhores traduções, eticétera e eticétera. (Falando nisso, a aliança entre a Penguin Editors e Companhia das Letras só tem coisa boa: Ilusões perdidas (Balzac), Madame Bovary (Flaubert), Cândido (Voltaire) entre outros títulos, incluindo literatura brasileira.)

Falando em Companhia das Letras, chego ao tópico mais caro dessa ‘blogagem’. Trata-se do autor que mais me causa ‘uma coisa inexplicável não sei dizer qual é a dele.’

Acho que nenhum leitor, do mais ingênuo ao mais vivido, pode ficar indiferente a Jorge Luis Borges. Quando digo ‘não sei qual é a dele’, não se trata de burrice, não tem a ver com entender ou não as frases. Só penso que o cara vai muito mais longe do que nossa compreensão pode alcançar… (ó, vã sabedoria!)

A Nova antologia pessoal do escritor argentino reúne poemas, prosas,relatos, ensaios e ainda possui os poemas em espanhol [gosto da possibilidade de ler o poema na ‘sua’ língua]. Aproveitando o clima ‘puxando o saco do mercado editorial’, aqueles  envolvidos no meio dos livros sabem muito bem a importância da Companhia das Letras. Não estamos falando de qualquer coisa. Os mais recentes “sucessos” lançados que valem a pena ler incluem Barba ensopada de sangue, do Daniel Galera (já resenhei, comentei, dei spoilers AQUI) e também Toda poesia de Paulo Leminski, livro que tem estado na lista de mais vendidos em um país que lê, em grande parte, 50 tons de cinza e afins. (Não condeno leitores de best seller, condeno a única e exclusiva leitura de uma pessoa ser best seller, mas isso é pano pra outra manga…) Considero uma vitória.

Consegui ler os poemas da nova antologia entre uma teoria poética e outra e gostei muito. Ainda com aquele sentimento de “preciso digerir”, recomendo os poemas “Xadrez”, “O mar”, “Outro poema dos dons” e “As coisas.” Do que foi considerado prosa, gostei muito de “A testemunha”, “O episódio do inimigo” e “The unending gift“. Chamaram de relatos alguns contos pertencentes ao Ficções: “Tlön, uqbar, , orbis tertius”, o qual acho bem maluco e “O jardim de veredas que se bifurcam.” Da antologia, “Emma Zunz” me chamou bastante atenção principalmente por mencionar as cidades de Bagé e Rio Grande, o que achei bem legal. Borges é “algo.” Já o perdoei por ter falado em conferência no exterior que Poe é “leitura para garotos.” Eu te perdoo, homem.

“Antes que o sonho (ou o terror) tecesse mitologias e cosmogonias,

antes que o tempo se cunhasse em dias,

o mar, sempre o mar, já estava e era.”

(trecho do poema ‘o mar.’)

A must-read

A must-read

Dadas as devidas recomendações, me despeço.

See ya.

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4 pensamentos sobre “O enigma de Borges e a coleção portátil da Cosac Naify

  1. Essa coleção da Cosac tá linda, mesmo. Já garanti o “O som e a fúria” e tô de olho em outros títulos e novidades.

    Quanto ao Borges é desnecessário falar, o véio era foda.

    PS: Ele estava certíssimo quanto ao Poe. #tr3t4

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