Barba ensopada de sangue – Daniel Galera (Resenha com dose de biografia)

O texto a seguir foi redigido em um bloco de notas de celular, à medida que a leitura ia avançando. Pode conter alguns spoilers sobre esse e outros romances do Galera. 

Barba ensopada de sangue: além de uma história impressionante, Daniel Galera demonstra a que veio. Como ele preenche bem os espaços da narrativa com imagens tão concretas como o tilintar dos vidros ao se abrir a geladeira ou ao dizer que as uvas transpiravam açúcar, descrevendo ambientes tão vivos que passeiam entre o realismo e algo mais solto…

[…]

A narrativa está cada vez mais envolvente. Apareceu até o Bonobo! Estou com dificuldades pra lembrar  o que aconteceu com ele no Mãos (de Cavalo), tenho quase certeza que ele morreu, espancado pelo irmão da menina da festa de 15 anos. Ah, o pai do cara, que não tem nome, btw, menciona um conto do Borges, ‘O sul’. Devo procurar depois e ver qual é.  O nome do fusca do Bonobo é Tétano. O cara pra escrever umas coisas assim, cômicas ao passo que está tudo desmoronando tem que ser, no mínimo, muito bom.
A mãe do personagem é uma fútil. E ele fica de bunda mole ajudando todo mundo a resolver problemas financeiros imbecis, tipo as dívidas do Bonobo e a cirurgia plástica da mãe que se enrabou pq emprestou dinheiro para o irmão que ele odeia. Eu largaria um ‘foda-se’ bem dado… É isso, por enquanto.
Ah, não gostei da Jasmim tbém. Meio noiada demais para quem tem instrução. Ficar com medinho de espírito… Tsc tsc
Esse personagem, o cara, não é irritante quanto os outros. Ele é fechado, cético e essa condição neurológica dele é muito punk. Só quem se alivia ao ver um rosto familiar sabe o que é isso.
O final do livro acaba esclarecendo muita coisa do meio da narrativa, além do início que parece um prólogo. Aquilo somado a todo o restante, me lembrou muito o ‘eterno retorno’ do Nietzsche. Não fiquei com tanta raiva do cara porque sofro um pouco dessa coisa de pensar que se pode resolver tudo sozinho etc.
É o melhor romance do Galera, sem dúvidas.

Ok, agora a parte ‘racional’ do post, sem estar envolvida na trama como estava ao digitar freneticamente essas anotações por medo de não lembrar depois. Sim, algumas coisas envolvem demais e irritam. O negócio é o seguinte: o personagem é chamado pelo pai, que está em seu sítio e, após uma conversa aparentemente sem grandes propósitos, declara sua decisão de suicidar-se. Somado a isso, o pai (suicida) começa a narrar para esse personagem a história do próprio pai, o Gaudério, desaparecido misteriosamente em Garopaba/SC, cujo assassinato provável ainda pairava no imaginário da região. O personagem marcado por tantas reviravoltas na sua vida (suicídio do pai, responsabilidade de sacrificar o cão do pai – a qual não realiza, a briga com o irmão mais velho) o impulsionam para Santa Catarina em busca da verdade (ou dele mesmo…)

Explicar mais do que isso é desnecessário. Outra coisa importante,  como o Daniel Baz, do Pato Fáustico bem falou, é o caráter descritivo do romance – e com todo o propósito de ser. O descritivismo não é sem razão, ele tem uma função muito bem definida e ajuda o leitor a juntar as peças, assim como o personagem principal precisa tanto reparar nos gestos, nos cabelos e nas mãos das pessoas para lembrar delas no dia seguinte.

Five stars.

One-sit reading garantido.

One-sit reading garantido.

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