Uma palavra sobre A razão do absurdo

Como o prometido, publicarei então a resenha sobre o livro A razão do absurdo do estimado (mas nem tanto assim) amigo Paulo Olmedo. Formado em Letras Português pela Universidade Federal do Rio Grande, Mestrando do Programa de Pós Graduação História da Literatura também da FURG, o autor publicou no ano passado seu primeiro livro, reunindo contos já conhecidos além de escritos inéditos.

Esse universo absurdo criado por ele consiste em dez narrativas. Para prevenir a confusão na cabeça do leitor, já aviso: para ler e entender os contos é preciso um pouco de paciência, atenção e mente aberta. O fantástico está por todos eles, seja de uma forma mais escancarada ou mais sutil. Uns chamam de realismo mágico/fantástico/literatura fantástica/fantasia-os-cambau, mas prefiro me abster de ficar dando tantos termos. Sigamos!

O interessante é que, em todas as histórias, nada é “normal.” Como eu disse na review do goodreads, são narrativas que incomodam, impressionam, nauseiam, às vezes.

[Os comentários a seguir podem conter algum spoiler para quem não leu. Não exclui a necessidade da leitura, mas, quem não curte saber alguns pontos, passe, por obséquio, para a última parte!]

Quem não se comoveria com a história de um menino que põe fogo acidentalmente na própria casa? Ou com uma família que, de tempos em tempos, precisa simular um fato ocorrido há anos para manter a sanidade do avô? Quem não sentiria uma náusea ao término de “Pirulito comeu caviar”? Isso é só uma prévia do que pode te arrebatar na leitura de A razão do absurdo.

Os melhores:

Havia dias em que acordava com a camisa da seleção

O fazedor de chuva

Pirulito comeu caviar

A razão do absurdo (autobiográfico sim ou com certeza?)

Após tantos elogios ao livro, acredito ser minha única crítica, o high level da coisa toda. Diria que para o leitor médio, o livro pode causar certo transtorno, porque é pancada atrás de pancada. Discutir isso seria entrar em um debate interminável sobre leitor modelo, leitor real, horizontes de expectativa e, tenho certeza absoluta, não queremos entrar nesses méritos. /o\

Mas… enfim, taí e merece muito ser lido! Está disponível na Livraria Vanguarda, não esquecendo do blog que deu origem ao livro homônimo: A razão do absurdo.

de paulo olmedo

de paulo olmedo

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7 pensamentos sobre “Uma palavra sobre A razão do absurdo

  1. Fico lisonjeado. Quanto ao “high level” – que eu entendi como “porrada”, “punk” hehehe – acho que isso cabe mais para quem reflete acerca, eu tento mas não consigo me desvencilhar da minha faceta estudante de literatura, então acho que está num nível “entrelinhas” – tirando o “Pirulito…” que é bem explícito. Ou seja, acho que ao leitor médio, como disseste, é possível apreciar as “historinhas” e alguém mais calejado vai sacar as maldades.

    conto autobiográfico? nunca 😛

  2. nã, não faz coisa do véio se remexer no túmulo, deixa assim hahahaha

    eu considerei um elogio, mas como teve gente “não-acadêmica” que gostou do livro – assim como outras não gostaram pelo “tom forte” – acho que dá para pensar que é as pancadas estão subentendidas.

  3. Eu acho o mais metaliterário de todos, porque é o sentimento do escritor, de querer registrar tudo e não consegue aproveitar os momentos. E ainda insiste em algo que se foi, em vez de buscar coisas novas, bem preso à tradição, tá, dei uma viajada hehehe

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