Top 10 2012

O dia da lista final. Confere aí.

10 – Manhã transfigurada – Luis Antonio de Assis Brasil

Embora seja uma obra ambientada no século XIX, não se trata de um dos tradicionais romances históricos do escritor gaúcho. A narrativa é sobre um triângulo amoroso, muito bem trabalhada, pois cada capítulo é narrado sob um ponto de vista diferente, o qual só percebemos pela própria progressão da leitura.

9 – Mãos de Cavalo – Daniel Galera

Mais um autor gaúcho (?) na lista.

Mãos de cavalo é um relato minucioso da relação de identidade que uma pessoa se propõe…já nem uso mais o termo “busca de identidade”, pois se alguém almeja em realmente encontrá-la, vive no mais ilusório dos mundos. Como buscar algo em constante movimento? Plantado, sim, em algum momento passado, mas jamais, imutável.

A descrição de situações, da ambientação, de certos costumes é minuciosa, necessária e contribui demais com a forma que Daniel Galera se propõe a narrar: memória, fragmentada. Tanto fragmentada no passado quanto no presente também, quando o personagem principal está partindo para sua aventura, aos 30 anos de idade, e rememora tempos relacionados aos narrados em outro capítulo, outra perspectiva. Não é necessário entender a teia  que o autor constroi antes que se possa penetrar no enredo. De início, não se pode afirmar ao certo qual é a moral de tudo, com o passar das páginas, as palavras vão se entrelaçando e dando um sentido maior ao que parece um simples relato da trajetória da vida de um homem.

8 – Homens interessantes e outras histórias – Nikolai Leskov

Começou a marmelada russa! Desculpem, não sei o que aconteceu com esses caras (Gogol, Dostoievski, Tolstoi)  naquela época, mas eles são o que há em literatura.

Não foi por acaso que Walter Benjamin homenageia Leskov em seu famoso ensaio “O narrador.” Leskov guarda o jeito simples e instigante de se contar uma boa história. Permeando o discurso de “mistério” e “o fato aconteceu de verdade”, embarcamos em contos que falam muito sobre o que é ser humano.
Destaque para “O papão.”

7- Enquanto agonizo – William Faulkner 

O título não poderia ser mais apropriado. Exceto pela conjugação verbal: enquanto agoniZAMOS. Um acontecimento, pontos de vista diversos, capítulos intitulados com o nome das personagens que relatam, estilo que seria, tempos depois incorporado em Game of Thrones.

A narrativa consiste nos últimos dias e falecimento de Addie Bundren, cujo último desejo é ser enterrada em sua cidade natal, Jefferson. Assim, o marido Anse e os filhos Cash, Darl, Jewel, Dewey Dell e Vardaman precisam fazer um grande esforço: logístico e emocional para realizar o último pedido de Addie.

6- O natimorto- Lourenço Mutarelli 

Um romance um pouco mais fechado do que Nada me faltará, O natimorto tem tanto a dizer sobre algumas peculiaridades do ser humano contemporâneo que foge a uma linha narrativa específica. Um homem, uma mulher e um quarto. Ali, o homem reflete sobre toda a existência e, a mulher, quase se vê sugada por essa filosofia.

5 – Odisseia – Homero

É um clássico. Deixar a Odisseia fora da lista seria heresia de minha parte. Claro que, meu gênero preferido é ainda o romance (mesmo com todas as circunstâncias do destino me levando para outros caminhos), mas ainda assim, Odisseia é genial. Merece ser lida e garante ao leitor muita empolgação.

4 – 1984 – George Orwell

Orwell é um grande mestre da linguagem, possuindo uma imaginação incrível para a arquitetura de universos utópicos [ou não]. Relativamente “fechado”, o romance se abre ao que desejamos interpretar. O sistema, suas imposições intensifcados pelo destino triste de  Winston.

3 – Memórias da casa dos mortos – Dostoievski 

Memória da casa dos mortos é o relato do escritor russo Fiódor Dostoiévski sobre os anos passados na prisão por Alieksandr Pietróvitch. É bem verdade que Dostoiévski se projetou na figura de Alieksandr para falar de suas próprias experiências vividas em 4 anos de trabalhos forçados na Sibéria. Apenas um escritor de grande porte faria esse relato sem deixar o leitor sonolento. Para cada detalhe da prisão, uma nova história de determinado preso ou soldado chamava a atenção, além do capítulo “O marido de Akulhka (conto)” capaz de deixar-nos sem reação por muito tempo. E como não poderia ser diferente, diversas formas de se enxergar o mundo, pelo prisma daquele que se vê privado de liberdade.

2 –  Um negócio fracassado e outros contos de humor – Tchekhov

(control cê, control vê aqui do blog)

Um negócio fracassado e outros contos de humor. Após ler uns três contos, fiquei pensando: “contos de humor”? Só se o humor referido aqui for a ironia que permeia toda a obra e toda a vida. E é realmente esse o humor que Tchékhov arranca, às vezes com muito custo, de nossos lábios, pois as situações se aproximam – muito!- do tragicômico. Nessa reunião de contos, a natureza humana está muito bem esboçada. A cobiça, a vileza, a ingenuidade que chega a um extremo inaceitável etc. Não de forma tão pessimista quanto em Dostoiévski ou sombria como em Edgar Allan Poe, mas em um estilo leve-cruel-tênue o qual Tchékhov tem muito jeito para manejar.

1- As crônicas marcianas – Ray Bradbury

As crônicas marcianas consistem em mostrar como se daria a colonização de Marte por seres humanos. No livro, essa ocupação é concreta, ela se realiza de fato, total. O legal é que a obra não se preocupa apenas em discutir essas questões de ocupação de outro lugar; vai além e problematiza as relações sociais e a relação com a cultura também. Assim como Fahrenheit 451, as crônicas nos deixam com uma ponta de desolamento. Aquela tristeza inerente a quem entende demais o que leu.

Bonus track: Os irmãos Karamazov – Dostoievski

Último livro lido de 2012, romance mais empolgante de Dostoievski [que li] até o momento (pelo menos o que exija fôlego do leitor). Caminha pelos meandros das relações familiares e de valores, mostrando a sociedade russa em sua concepção de deus e como se realizou, então, a justiça…

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