A novidade do Admirável mundo novo – Aldous Huxley

Provavelmente o romance em questão, quando publicado em 1932, deve ter causado um pouco de espanto, talvez desse um nó na mente dos leitores. Eu mesma custei a penetrar nesse universo, naquele prédio branco e metálico, de superfícies esterilizadas em que os seres humanos eram decantados em vez de nascer.

Porém, consegui entrar no edifício e sair dele, com um desalento no coração. Um desalento bastante consciente, por assim dizer.

Tentarei traçar uma linha lógica desse romance sem estragar completamente a sua novidade, admirável…

Narrado em terceira pessoa (isso é importante), o romance trata da sociedade do ano 632 d.F., isto é, depois de Ford. Já deu para perceber que o conceito de religião deu espaço a outro. O personagem principal, ao meu ver, é essa sociedade perfeitamente confeccionada, dividida em castas muito bem condicionadas fisicamente e psicologicamente, para se sentirem satisfeitas com aquilo que fazem e como são. Não há espaço para a infelicidade nessa Londres.

Em todo universo futurístico, utópico ou não, há um ser desviante. Nesse caso, temos Bernard Marx (Marx!), um alfa com aparência física de gama, que se sente avesso às regras impostas por aquele meio. Enfim, ele decide visitar uma Reserva no Novo México. Isso significa visitar uma aldeia de índios, de pessoas que se relacionam, falam, se expressam como GENTE.

Várias coisas acontecem lá na Reserva, tal, tal, tal, não quero dar spoilers. Acontece o seguinte: Bernard acaba levando o “Selvagem” (John) para Londres e o apresenta então aquele “admirável mundo novo”. Inicialmente Bernard vê essa criatura como forma de conquistar a admiração e simpatia de todos os outros, os quais sempre desconfiaram de sua estabilidade mental justamente por se comportar estranhamente. Os efeitos dessa troca de ambiente são devastadores…

Se quiser mergulhar em Admirável mundo novo, esteja preparado para ver os conceitos de família, religião e literatura completamente apagados. Isso para não falar nas outras “fabulações” de Huxley, que temo, podemos estar vivendo sem saber…

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