Tchekhov, um homem extraordinário

Bienvenidos a mais uma resenha literária!

Hoje, o tópico é literatura russa (amo!), especificamente Anton Tchekhov e seu livro de contos A dama do cachorrinho e outras histórias, que necessita de um paralelo com Um homem extraordinário e outras histórias.

Se em Um homem extraordinário Tchekhov nos impressiona pela leveza com que trata das situações, mesmo as mais absurdas, se ambienta-nos em campos ou em casas habitadas por crianças imaginativas (Criançada), em A dama do cachorrinho o autor estraçalha a representação da mulher.

As intenções de Tchekhov nunca poderão ser de todo verificadas, mas ao que parece, há uma crítica severa ao comportamento feminino, pelo menos em 9 contos, dos 12 presentes nesse livro. Apenas o primeiro texto, “A morte do funcionário”, possui  personagens masculinas centrais.

Como ia dizendo, a visão geral dos nove contos é de que a mulher ora é vil, ora é interesseira e ora é submissa e todos esses, são pecados capitais,  que levam a uma imagem não muito bacana dessas personagens. No conto “Aniúta”, há a submissão total tão profunda, que sentimos pena dessa mulher. Por outro lado, em “A irriquieta”, o único sentimento o qual se pode ter ao final do conto é desprezo por atos tão estúpidos cometidos pela  jovem  Olga Ivânova. Em “Anna no pescoço”, temos o retrato de como, pouco a pouco, o dinheiro começa a tomar conta da vida dessa jovem Anna, que toda a repulsa que sente por seu marido é gradativamente apagada, ao passo que também se afasta de sua família pobre.

Falando assim, parece que o livro é uma queimação sem fim das mulheres. Mas Tchekhov guarda para seus dois últimos contos, “A dama do cachorrinho” e “A noiva”, outra forma promissora de se ver essas gentis personagens.

“A dama do cachorrinho” narra a história de Dmítri Dmítritch Guróv, um homem que enxerga as mulheres como “raça inferior” e, já não tendo mais interesse pela esposa, a trai sem maiores preocupações. Estando duas semanas na cidade de Ialta, observa, todos os dias, uma dama passear com seu cachorrinho. Um dia, os dois conversam rapidamente, e ele descobre seu nome, Anna Serguêievna, também casada. Os dois vivem um rápido romance, Anna sente-se muito mal pelo ocorrido, e tem consciência de tudo o que Guróv pode pensar dela. A princípio, até acreditei que Guróv pudesse desprezá-la. No entanto, depois de um período separados, de volta às suas casas em Moscou, Guróv se vê sufocado pelo sentimento de não estar perto de Anna e procura-a. Aí no final… não contarei! Só posso dizer que Anna não acaba sendo caracterizada como uma “mulher traidora, sem moral e tal tal tal.”

O último conto, “A noiva”, é a libertação total. Narra o dilema de Nádia, moradora de uma província, que está para se casar com Andrei Andrêitch. No entanto, sua pequena residência, de tempos em tempos, recebe um rapaz, Sacha, que acaba convencendo Nádia de que ela precisa fazer alguma coisa: estudar, ir para a cidade e conhecer coisas novas. Nádia sente-se relutante, mas acaba decidindo aceitar o conselho do amigo. O final do conto é triste, de certa forma. Mas nessas alturas Nádia já está independente e não mais lamenta a saudade da vida na província.

Esses dois livros receberam cinco estrelinhas no goodreads por esta que vos fala. Depois de ingressar nas aventuras de Tchekhov, não tem mais saída. Ele, sem dúvidas, é um homem extraordinário.

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