Não sou poeta

O poeta pousa a palavra no vazio extenso. Pensa, apaga, escreve-a novamente e diz: vai.

A palavra enrosca-se a outra e mais outra. Agora, procuram olhos. Olhos que dizem às bocas “Não!”, “Sim!”, “Inacreditável!” Boca que segura o coração galopante, querendo sair.

O pequenino vocábulo, solitário no mundo,  unindo-se a outros criou universo à parte, comunicou. E o quão valioso é simplesmente… dizer.

Não sou poeta, nem palavra. Quiçá sou criatura, de um autor muito iniciante. Mas preciso falar vezenquando. Preciso unir as interjeições e emocionar as pedras duras, longe de serem talvez, diamantes.

Não sou poeta, nem palavra, talvez reticência. Pois nunca sei como concluir as coisas misteriosas, nunca conhecidas, que não sei dizer.

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4 pensamentos sobre “Não sou poeta

  1. Humilde demais. Literatura é “vontade de poder”, um campo agonístico onde egos literários se embatem. Se a “criatura” deseja cantar, ela já quer se afirmar no mundo das palavras e entrar nesse jogo de forças. No mais, não saber o que dizer não te desqualifica como poeta, pois o próprio “não saber” ja é assunto poética, e dele rendeu um poema em prosa. 😉

    Isso inclusive me lembrei Henry Miller, um dos maiores exemplos de autoafirmação de ego literário:

    “Não tenho dinheiro, nem recursos, nem esperanças. Sou o mais feliz dos homens vivos. Há um ano, há seis meses, eu pensava ser um artista. Não penso mais nisso. [b]Eu [i]sou[/][/b]. ”

    Não tem tanto a ver, mas com o livro aberto aqui não vou deixar de citar uma das coisas mais bonitas que já li em um livro:

    “E isto então? Isto não é um livro. Isto é injúria, calúnia, difamação de caráter. Isto não é um livro, no sentido comum da palavra. Não, isto é um prolongado insulto, uma cusparada na cara da Arte,um pontapé no traseiro de Deus, do Homem, do Destino, do Tempo, do Amor, da Beleza… e do que mais quiserem. Vou cantar para você, um pouco desafinado talvez, mas vou cantar. Cantarei enquanto você coaxa, dançarei sobre seu cadáver sujo…”

    A literatura registrando a afirmação de força do artista num dos textos iniciais mais punks que eu já li. =D

    (detalhe: eu gostei do texto, e meu comentário é mais um delírio =D)

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