Literatura nas férias – Miscelânea

É amigos, o mês de fevereiro chega sem nenhuma cerimônia e avisa: daqui a 21 dias terminam as férias de muita gente. A autora desse blog ainda tem uns 15 dias de vantagem, mas para um perrengue no HARD MODE, para compensar.

Resolvi escrever alguma coisa sobre os livros que tenho conseguido ler ultimamente. Para começar, Lugar nenhum, de Neil Gaiman. Tomei conhecimento desse livro lá no blog do Young,  cuja descrição me chamou a atenção: “alegoria sobre um londrino comum, que um dia ajuda uma mendiga e acaba indo parar na “Londres de baixo”, subterrânea, com leis diferentes e a cidade atuando como personagem. Tem toda uma atmosfera sinistra, é claramente um livro de fantasia, mas também pode render questionamentos maiores, sobre nossas escolhas na vida. O próprio título já entrega um pouco do que é o romance.”  (palavras de Young) Eu sempre tive dificuldades em diferenciar o fantástico da alegoria e confesso que até hoje não consigo divisar muito esses dois fenômenos. Talvez por essa razão, acabe evitando toda e qualquer obra em que vampiros existem ou bruxos com uma cicatriz na testa devem perseguir um bruxo maior ou coisa do tipo.Pois quando não consigo relacionar algo com a vida, simplesmente a ficha não cai. No entanto, esse romance do Gaiman (o primeiro, no entanto a galera pira com os quadrinhos do Sandman e era só isso que eu sabia dele) me fez aceitar todas as coisas absurdas que acontecem na “Londres de Baixo”. A narrativa é boa, a gente sente uma curiosidade em saber what’s next, no entanto senti falta de algo mais tramado, que deixasse um mistério e em seguida resultasse no queixo caído.

Bem, depois de Lugar nenhum, dei início a aventura russa do universo de Dostoiévski em O idiota. Pode soar muito piegas ou o que for, mas eu me descobri muito mais fã desse cara do que de qualquer outro autor. Acho que sou mais fã dele do que do Poe (é, pasmem!) O que ele consegue fazer em suas narrativas, é algo inacreditável. Em O jogador, ele me fez rir alto com a vovó da família – que todos esperavam que morresse logo – a qual vai para a cidade gastar toda a sua fortuna na roleta. Em Notas do subsolo, ele dá uma lição de vida e filosofia com o seu narrador anônimo que fala o que bem entende na cara da sociedade russa, e por aí vai.

Uma coisa que me chama muito a atenção nas narrativas, é a postura das personagens femininas de Dostoiévski. Todas assumem um controle quase absoluto diante de suas vidas – e extremamente necessário à história – embora haja uma fragilidade inerente à figura feminina. Em Crime e castigo, Sônia é frágil por ser vítima da pobreza, no entanto é forte porque se submete à profissão mais antiga do mundo para ajudar uma madrasta que a maltrata. Até mesmo em Noites brancas (novela de Dostoiévski que mais se aproxima do romance romântico) Nástienka  exerce controle absoluto sobre o narrador até o último minuto da narrativa. Li essa novela em seguida de Os sofrimentos do jovem Werther (Goethe) então já dá para saber mais ou menos qual é a atmosfera envolvendo os dois protagonistas. E em O idiota, Nastácia Fillippovna representa uma quebra total com os padrões da época, penso eu, embora o estigma “fruto do destino que a destroçou” sempre paire no ar.

Certa vez, um colega comentou que na revista Cult, escreveram um artigo comparando Tolstoi a Dostoiévski. Pois bem, tenho muito mais conhecimento sobre a obra do segundo do que do primeiro, no entanto já li coisas do Tolstoi que me levam a afirmar que ele é sem dúvidas, um ótimo escritor, mas nada pode competir com a fúria e o caráter cômico da prosa de Dostoiévski. Cada ponto de exclamação é uma alegria, uma raiva, um espanto com tamanha ênfase que sentimos, de fato, junto com as personagens, a tensão do momento.

Encerro então, alguns comentários aleatórios sobre literatura, sempre deixando uma dica ou outra de leitura para os mais fanáticos. Ainda restam 21 dias…

Out.

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2 pensamentos sobre “Literatura nas férias – Miscelânea

  1. Eu tenho que ler o Dosto, mas sem tempo é impossível.

    O Gaiman pra mim é melhor romancista do que em quadrinhos. No Lugar Nenhum ainda tava pegando a manha.

    • Young, já que o tempo é curto, podes começar com o Notas do Subsolo, tem versão pocket e é bem tranquilo de ler… depois partir para os “tijolões” clássicos do Dosto! Estou empolgada para ler “Deuses americanos” também. Eu não conheço o Gaiman nos quadrinhos, mas pensando na literatura HOJE, fazer algo fantástico sem soar babaca não é pra qualquer um! O cara tá de parabéns mesmo!

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