Reflexões sobre a humanidade

Tem um cara chamado Freud que em seu ensaio (creio que possa ser chamado assim) O mal estar na civilização, já dizia que o homem enfrenta três grandes conflitos: com a natureza, com o seu próprio corpo (que se deteriora) e com a convivência com o outro, seu semelhante. Pois bem. Andei pensando um pouco sobre essa coisa de se preocupar com os outros, tentar ser bacana e ter uma convivência legal. A única conclusão que chego, e podem me chamar de egoísta, é que deveríamos sim, apenas nos preocupar com nós mesmos. Essa coisa de ter compaixão, pena, mover moinhos pelo próximo apenas nos autorizou a ter preconceitos, a falar mal, a desprezar o outro. Nietzsche já demonstrava uma repulsa tremenda pelo sentimento de compaixão muito bem desenvolvido e enfatizado em O anticristo. Obviamente, esse livro se trata de um ataque direto ao cristianismo (ou a rejeição de qualquer ideia de que haja uma metafísica), mas se pensarmos em termos práticos, sim: a compaixão é uma droga.  Penso, então, que o altruísmo deve ter sido o primeiro grande mal da humanidade. Até porque todo altruísmo tem um “quê” de “olhem como eu sou legal”. Os políticos vivem de altruísmo de quatro em quatro anos, por exemplo. Viver em sociedade não é fácil, porque em priscas eras se pensou que deveríamos nos esmerar e nos preocupar com todos que nos rodeavam, muito além da política da boa vizinhança. A realidade não pode ser outra, após todo esse delírio, de que nunca tivemos muito mais do que nosso umbigo. E seríamos, talvez, um pouco mais felizes se nos preocupássemos só com ele.

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2 pensamentos sobre “Reflexões sobre a humanidade

  1. Não concordo com você, Freak. A melhor forma de se preocupar consigo mesmo é se preocupando com o mundo em que você vive, isso inclui TUDO, inclusive as pessoas, que também são natureza, o que na sua época Freud pode ter desconsiderado, a não ser que ele tenha feito essa divisão apenas como recurso didádico (confesso que ainda não li esse livro). Falta uma visão holística para muitas pessoas, reconhecer que existe uma intrínseca conexão entre todos os componentes que formam o complexo corpo social, sendo assim, o mal de um é o mal de todos, sem exceção.
    Fazendo uma breve alegoria para tentar explicar melhor o que estou dizendo, vamos considerar a sociedade como se fosse um ser humano, poderíamos pensar se o egoísmo daria certo, por exemplo: se as células (indivíduos) que formam o tecido do músculo cardíaco (parte da sociedade) só se preocuparem com seu grupinho, ou pior ainda, cada uma consigo mesma, essa postura não só irá combalir o órgão específico, como consequentemente o organismo inteiro (corpo social), assim como se o pulmão lutar contra o cérebro pelos melhores recursos disponíveis no sangue, um dos dois sairá perdendo, e o corpo como um todo sofrerá as consequências. Eu sei que parece bobagem, o exemplo é até bobo, mas acho que serve pra ilustrar o quadro social. E SEMPRE vivemos assim, Freak! Lutando uns contra os outros, cada um olhando para seu umbigo, nunca na história da humanidade foi diferente. Isso tá na hora de acabar, pois a humanidade, hoje, tem recursos para suprir todas as necessidades humanas, tem o domínio técnico-científico necessário para isso, como nunca teve antes. Por isso tá na hora de acabar com essa lógica de vida sem sentido, não podemos mais pensar só em nós mesmos, sob pena de toda humanidade e quem sabe o planeta inteiro ruir. Isto não quer dizer que devemos participar de ONGs ou ir pra África cuidar das pessoas de lá, ou ainda doar dinheiro pra associações de caridade, nada disso. Essas atitudes até tem sua importância, mas muito limitada, pois luta só contra sintomas e não com as causas das “doenças” sociais. Todas essas ONGs ou indivíduos que pensam que estão fazendo um grande bem para humanidade estão só se iludindo, pois, numa perspectiva ampla, não fazem mais do que por a mão num ferimento que não para de sangrar e nunca vai parar, pois não lida com causas. Miséria, fome, pobreza, violência, abandono, guerras, isso tudo não são problemas, são sintomas. O que tem que acontecer é a busca da solução dos problemas através do método científico, e não a luta inútil contra os sintomas que são confundidos com os problemas. A causa da nossa vida miserável está na nossa consciência, onde por toda nossa existência humana até hoje perdurou o pensamento individualista. Nunca na história da humanidade, como já disse, um número significativo de pessoas pensou holisticamente para mudar alguma coisa e acabar com as causas da esquizofrenia social na qual vivemos. Nossa visão estreita de mundo, que desconsidera o organismo social como um todo, individualista, e que acha que é cada um por si e todos por ninguém é que está acabando conosco e com o planeta, é esse tipo de pensamento que não serve mais.
    É claro que não sou dono da verdade, apenas estou expressando o que acredito estar o mais próximo da verdade nesse momento, o melhor que posso fazer. Pense sobre isso, Freak.
    Se estiver interessada em entender melhor tudo que estou dizendo, gostaria de dividir com você cinco livros que li recentemente me ajudaram a clarear minha mente para estas questões, todos se encontrar disponíveis gratuitamente no site:
    http://suavidaeumaporcaria.com.br/

    Bjão!

  2. Pois então Carlitos, bem que achei que esse post ia dar esse ar mais egocêntrico, no entanto, minha ideia é de que, muitas vezes, estamos nos doando demais para outras esferas e não cuidando de nós. Existem muitas coisas que estão engessadas na sociedade e muitas vezes, nem sabemos o por quê. Tenho a impressão que o Freud dividiu os três conflitos daquela forma para ser didático mesmo, pois o livro é nesse estilo. Vou procurar pelas tuas sugestões. Abraço!

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