Dia do leitor – 7/01

Não sei se por pura coincidência, mas hoje eu estava pensando em escrever sobre livros aqui. É estranho, não lembro de ser assim antes, ou simplesmente não tinha oportunidades de conhecer, mas todo dia é dia de alguma coisa. E  hoje, é dia do leitor.

Me vejo, no atual momento, entre duas grandes obras (em extensão e conteúdo): 1984 (George Orwell) e O nome da rosa (Umberto Eco). Comecei a ler a última no ano passado ainda, período de férias, mas as letras miúdas da edição que tenho não contribuíram muito para meu empenho na leitura. A narrativa é rica e interessante e muito esclarecedora para quem já tem noções de linguística, em especial. Por outro lado, é detalhada, arrastada em alguns pontos, abordando contradições do cristianismo que com certeza chamariam a atenção de um bom conhecedor da religião cristã. Sigo lendo-a nesse verão e estou até mais disposta a encarar os desafios da letra miúda e ir fundo naquele universo, fascinante, diga-se de passagem.

Sendo período de férias, fico um pouco ansiosa e preciso ler uma outra coisa paralelamente, pois são apenas dois meses para ler tudo aquilo que está na fila de espera há tempos e depois que as aulas recomeçam, there’s no way out. Apenas leituras obrigatórias – muitas vezes interessantíssimas – mas, ainda assim, obrigatórias.

Agora, falando da obra number two, para quem já leu Animal Farm (também de George Orwell) posso garantir que, até o momento, entendo 1984 como um aprofundamento das problemáticas abordadas na novela sobre os animais. A influência e manipulação da mídia, metonimizada na figura de Squealer em Animal Farm, é um veículo concreto e de grande influência em 1984. A teletela (nossa televisão) habita todas as casas e vigia todos: the big brother is watching you.

Como todo o sistema muito rígido sempre tem sua ovelha negra, o protagonista Winston Smith passa a questionar o atual contexto em que se insere, compra um diário e inicia a escrever coisas. No início, bastante lacônicas, sem muito fundamento, lembrando um jeito de falar confuso. Então, com o passar dos dias, começa a escrever coisas mais significativas e mais alinhavadas. A grande interrogação de Winston é justamente em relação ao passado. Como muito mencionado em Animal Farm, em 1984 as personagens também não conseguem lembrar como eram as coisas antes da revolução. E para Winston isso era ainda mais categórico, pois ele, trabalhando no Ministério da Verdade (Miniver), tinha como função ajustar certas notícias que iam parar na mídia: notícias do passado.

Não posso falar muita coisa além disso, pois estou na página 101. Tem muita coisa para acontecer. Posso garantir a todos os leitores de hoje, que se quiserem embarcar fundo em uma história envolvente, 1984 is the key.

Tenham todos um feliz dia do leitor! 🙂

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3 pensamentos sobre “Dia do leitor – 7/01

  1. Bah, nem chegasse na parte GENIAL de 1984. Tais lendo a edição da Cia. das Letras ou a da Companhia Fudanção Nacional? Recomendo a segunda – até acho que os termos que usaste são da segunda – porque os neologismos de Orwell estão melhor traduzidos. Sem contar que esses neologismo se tornam clássicos e a Cia. das Letras teve a infeliz ideia de modificá-los.

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