Dois lados de uma mesma moeda.

A porta se abre. O sujeito número 2 entra enquanto o sujeito número 1 está sentado na ponta da cama, sustentando a cabeça com as duas mãos. Sente que o mundo se concentra em seus pensamentos e dói, inteiro.

Estão discutindo um caso muito importante: como suportar ilusões em fundamentos ilusórios. Sujeito número 2 diz que é possível, que sua ilusão dá conta de todo o amor que se pretende em um universo caótico. Sujeito número 1 cala mas seu silêncio diz que não suporta apoiar ilusões em outras criações. Cansou da invenção.

Sujeito número 2 caminha pelo quarto, gesticula, talvez tenha gritado. Sujeito número 1 continua parado, inconsistente e indiferente. Esperando a tempestade ir embora, para que só assim possa mensurar os estragos. Tudo depois, o minuto é reservado para a catarse apenas.

A diferença entre dois sujeitos é o que os aproximam. Mesmo renegando as bases ilusórias, o sujeito número 1 continua lá. E estar fixado estático é a sua maior especialidade.

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